Estratégia competitiva através da gestão de custos




Em um mundo cada vez mais competitivo e com mudanças muito rápidas nas relações com clientes, fornecedores, além das decorrentes dos avanços das tecnologias e mídias, as empresas estão cada vez mais preocupadas em continuarem em um mercado cada vez mais veloz, exigente e complexo. Como muitos desses fatores são externos (ambiente político nacional e internacional, macroeconomia, crises, oscilação de moedas, etc) e fogem ao controle das empresas – embora sempre importante ter instrumentos de gestão de riscos para suas mitigações -, cresce, cada vez mais, a necessidade de estar amparado a uma boa gestão de processos internos, pois, sendo internos, estão sob controle das empresas e, portanto, podem ser administrados e corrigidos. E isso não é diferente na indústria farmacêutica.

Um dos principais aspectos internos, em especial em tempos de crises, são os custos. Portanto, “olhar para dentro de casa” e identificar oportunidades internas de reduções de forma inteligente e estratégica certamente traz um diferencial competitivo muito importante para a empresa, não só por reduzir custos desnecessários, mas também por melhorar e/ou eliminar processos ineficientes, o que resulta em uma elevação da lucratividade, deixando-a mais sólida e apta a encarar a dinâmica do mundo atual e dos concorrentes. Para tanto, não basta apenas ter como meta reduzir custos, é preciso ir além.

Saber gerenciar e usar de forma estratégica os custos, o que revela a compreensão de muitos fatores dentro da empresa, também faz parte desse processo. Hoje em dia, o conhecimento aguçado e a preocupação na eficiência do controle dos custos são imprescindíveis para qualquer empresa que espera manter-se atuante no mercado.

A globalização está cada vez mais ampla, exigindo dos gerentes a eficácia nos controles econômicos, financeiros e operacionais. Não é mais uma atividade apenas da Controladoria, mas de todos os gestores em uma organização. Para alcançar sucesso nisso, é fundamental, também, ter um bom sistema e controle de informações que permitam identificar e mapear tais custos desnecessários, além de desenvolver um planejamento adequado para identificar quais são e como reduzir, sem comprometer atividades essências da empresa.

Em experiências profissionais anteriores, pude participar de diversos trabalhos de mapeamento, identificação e ações para reduções inteligentes de custos com significativos resultados positivos. Em 2017, implantamos na Centroflora a prática denominada CREW (Cost Reduction and Elimination of Waste – em português: Redução de Custo e Eliminação de Perdas), o que trouxe economia significativa naquele ano, com reflexos positivos no caixa e na lucratividade da empresa e, mais importante ainda, melhorias de processos internos.

Tão importante quanto isso foi o aprendizado organizacional permeado no grupo e a conscientização da gestão constante de custos. Este ano, após o processo de M&A que a empresa passou, voltamos a reativar o procedimento, que já está trazendo resultados imediatos. Para nosso orçamento de 2019, já estamos com planejamento de incorporá-lo ao processo e, com isso, trazer eficiência de custos para a empresa no próximo ano e uma constante melhoria interna.

Contudo, é necessário entender que, apesar de todo o trabalho, apenas isso não basta. Temos que estar muito atentos às diversas formas que os custos surgem e como rapidamente podem erodir as margens de lucro da empresa. Por conta disso, a gestão de custos exige não só mapear e reduzir, mas também um conhecimento e entendimento mais amplo dos negócios.

Veja, a seguir, alguns exemplos de custos “sorrateiros”, que crescem sem percebermos:

1) Qualidade & Custos: é fundamental atendermos bem nossos clientes e suas necessidades. Portanto, ter qualidade já é condição “sine qua non”. Porém, é sempre importante acompanhar tais processos anteriores para evitar que, na aprovação da qualidade, sejam necessários retrabalhados em níveis elevados, pois são custos que vão corroendo as margens. O mais perigoso, aqui, é a organização e gestores acharem que um retrabalho “faz parte” de um processo. É, sim, importante atender o cliente com satisfação, mas evitar retrabalhos é essencial para não elevar custos.
2) Custo de capacidade não utilizada: também conhecido como ociosidade, é o custo com ativos não utilizados. Sabe aquela casa na praia que você fica anos sem frequentar, apenas gerando gastos? É importante entender o negócio e envidar esforços em utilizar todos os ativos como forma de geração de caixa para a empresa.
3) Atividades que não agregam valor: é comum uma empresa se acomodar com processos que são realizados há muito tempo. Porém, é importante parar, inovar nos processos e fluxos internos e sempre se questionar se esta ou aquela atividade ainda gera valor. Caso não, deve ser substituída ou eliminada, acarretando em economia de custos e melhorias de processos. Não se pode acomodar!
4) Diversidade: neste aspecto, é importante compreender os processos fabris e de que maneira a padronização em melhoria contínua pode minimizar custos. Hoje em dia, a complexidade (cliente, produto, fornecedor, equipamento e processos) precisa ser muito bem gerida pela empresa para evitar custos desnecessários.
5) Gestão de custos interorganizacionais: muitas vezes, a oportunidade de minimizar custos ou até ganhar eficiência está em interagir com os clientes e fornecedores para entender a cadeia produtiva, pois, frequentemente, podem haver oportunidades interorganizacionais de melhorias e redução de custo.

Por fim, a empresa tem sempre que trabalhar seu Custo Alvo para almejar a eficiência e lucratividade necessária, o que passa não e tão somente pelos já conhecidos cortes de gastos, mas, principalmente, por conhecer bem o seu negócio, mapear oportunidades inteligentes de reduções de custos, permear pela organização e gerentes essa cultura e administrar os custos “sorrateiros”, citados acima, além de outros aspectos do negócio, tudo de forma a evitar crescimentos imperceptíveis ao longo do tempo, que poderão erodir suas margens e a lucratividade.

A Centroflora vem constantemente trabalhando nesse sentido na busca de estratégia competitiva através da gestão eficiente de custos.

Marçal Junqueira
CFO da Centroflora


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